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Colunista Emanuel Cancella

A Petrobrás é o bolo da vovó: quanto mais batem, mais ela cresce

Data: 26/06/2014 

A grande mídia está em campanha contra a Petrobrás e diariamente pauta uma notícia “negativa” visando fortalecer distorções dentro da CPI da Petrobrás. O tiro acaba saindo pela culatra. O Globo noticiou: “Oferta de gás crescerá 68%, mas faltam gasodutos”. Mentira já que a Petrobrás, ao longo dos seus 60 anos, construiu uma malha de 9 mil quilômetros de gasodutos ligando todas as regiões brasileiras. Com a descoberta pela Petrobrás do pré-sal, as reservas de petróleo e gás se quintuplicaram, por isso agora a estatal precisa ampliar sua malha de dutos para levar esse gás a todas as cidades brasileiras. Ou seja, foi a própria Petrobrás que fez crescer essa oferta de gás.

Na terça-feira (24), foi a Agência Estado que chamou atenção da sociedade: “Demissão de terceirizados custa 120 mil a Petrobrás”. A companhia petroleira nunca fez parte das empresas sonegadoras de impostos e nem as de mal pagadoras. Muito pelo contrário, sobre os empregados terceirizados, a Petrobrás, de forma inédita, criou um “Fundo Garantidor” para custear o direito dos trabalhadores, em caso de calote das empresas contratantes.

Agora a bola da vez é a questão sobre a cessão onerosa. A União cedeu à Petrobrás, em 2010, 5 bilhões de barris de petróleo sem licitação, para viabilizar o financiamento da exploração do pré-sal, isso após aprovação pelo Congresso Nacional da PL 5.941. Com estranhosa sintonia, tanta que parece combinação, veja as manchetes estampadas nos principais jornais brasileiros nesta quarta (25): o Estadão noticiou “Sem licitação, Petrobrás fica com 4 novas áreas do pré-sal”; em O Globo disseram “União faz contrato de R$ 2 bi com Petrobrás sem licitação”; na Folha apresentaram “Sem licitação, governo da área do pré-sal a Petrobrás”. Ora a União só está cumprindo compromisso legal com a Petrobrás para viabilizar a produção do pré-sal. Com essa crítica, a mídia se junta às multinacionais de petróleo que não querem a petroleira brasileira como única operadora do pré-sal.

Outro balão de ensaio midiático é o custo das refinarias. A grande imprensa em várias matérias critica o custo das quatro refinarias que estão sendo construídas pela Petrobrás e nada falam da importância social e econômica dessas obras. Três dessas refinarias estão sendo construídas no Nordeste uma das regiões mais pobres de nosso país e uma no Rio de Janeiro. Os estados do Ceará, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, terão suas economias alavancadas por essas obras e milhares de empregos diretos e indiretos serão ofertados a essas regiões de nosso país. Vale lembrar que, no governo de Fernando Henrique Cardoso, a indústria naval brasileira, a maior do nosso continente, foi fechada, gerando demissões de trabalhadores em massa e o empobrecimento do nosso estado. Tudo isso em nome do menor custo no exterior. Depois percebemos que o custo social dessa decisão teve um valor astronômico e retomamos a indústria naval. Com relação aos custos das refinarias cabe aos tribunais de contas fiscalizarem esses valores e punir os excessos, se houver. O que não podemos é repetir os erros do passado!

Ainda bem que a cada dia, a população brasileira está mais consciente do papel que a grande imprensa cumpre na manutenção deste sistema hegemônico que explora os trabalhadores para garantir os privilégios das elites. A história de lutas que culminou na criação da estatal brasileira de petróleo, não se apaga assim. Na verdade, a Petrobrás é como o bolo da vovó, quanto mais bate, mais ela cresce aos olhos da sociedade.


*Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.



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