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Colunista Fernando Siqueira

A quem interessa a desmoralização das empresas brasileiras?

Data: 07/04/2017 
Autor: Fernando Siqueira

A japonesa Mitsui, citada várias vezes na operação Lava Jato, foi premiada com a compra da Gaspetro, sem concorrência e por um preço inferior à metade do valor da empresa; as empresas do cartel internacional do petróleo, consideradas internacionalmente como as mais corruptas e corruptoras do planeta, ganharam uma lei que escancara para elas o pré-sal em condições mais do que favoráveis, como foi o leilão do campo de Libra, o maior do mundo, já descoberto e comprovado como um dos melhores do pré-sal - “Nenhum país soberano vende campo de petróleo já descoberto”, senador Roberto Requião.

 

No entanto, as empreiteiras brasileiras não tiveram o mesmo acordo de leniência que as empresas americanas, que nos Estados Unidos, flagradas em corrupção, continuam trabalhando mediante apenas ao pagamento de multas e punição dos controladores. Casos exemplares foram os da GM e da AIG, nos Estados Unidos, que o governo estatizou, saneou e devolveu ao mercado, com outros donos, mas não as impediu de continuar as atividades. 

 

Já as brasileiras aqui foram impedidas de continuar trabalhando, gerando um brutal desemprego no País. No caso da Odebrecht, por exemplo, foram comprovados atos de corrupção por 75 de seus dirigentes. Claro que estes deveriam ser presos e pesadamente punidos, mas não se pode impedir que 170 mil trabalhadores continuem suas atividades. 

 

Se considerarmos o caso recente das gigantes do agronegócio, exportadoras de carne, que tiveram seus nomes denegridos no mercado internacional através de um estardalhaço suspeito, a partir da fiscalização de alguns frigoríficos que lhes prestavam serviços, veremos que há interesse internacional em fragilizar a atuação das empresas brasileiras que estão incomodando as multinacionais.

 

A Petrobrás, vítima de corrupção de alguns gerentes e de controladores das empresas de engenharia, teve seu nome denegrido através manchetes e páginas e páginas de matérias de jornais. Isto por um rombo de R$ 6 bilhões. Por outro lado, a operação Zelotes, que flagrou sonegação de impostos da ordem de R$ 1 trilhão, foi abafada inclusive pela Justiça, que proibiu matérias a respeito, segundo O Globo. 

 

Essa campanha contra a Petrobrás culmina com a venda de ativos estratégicos, de forma absolutamente irregular e até ilegal, precedida de desvalorização de ativos (impairment), tudo isso para tirar a empresa do pré-sal e disponibilizá-lo para o cartel internacional.

 

Isto tudo nos leva à grande dúvida: a quem interessa esse desmonte das empresas nacionais? Quem ganha com isso?

 

No segundo Fórum Social Mundial, a socióloga mexicana Ana Esther Seseña publicou documento secreto do Departamento de Defesa americano que mostrava as cinco estratégias de defesa do governo daquele país. Entre essas cinco, duas se aplicam ao Brasil e explicam boa parte dessas ações internacionais. A primeira refere-se à “impedir que países potencialmente hegemônicos se desenvolvam e coalizões hostis”, ou seja, frear o desenvolvimento do Brasil e enfraquecer o Mercosul  é estratégico.

 

A segunda refere-se à chamada “doutrina Carter”, que prega “acesso incondicional às fontes de energia”. Uma das fontes de energia mais estratégicas e de elevado retorno é o pré-sal, que contém um produto extremamente valioso, o energético mais eficiente do mundo, fonte de manutenção do desenvolvimento dos países hegemônicos, os quais não têm reservas de petróleo, estando numa enorme insegurança energética. 

 

Outro ponto importante são os artigos de analistas internacionais como William Enghdal (artigo: Um por todos e todos pelo pré-sal), Pepe Escobar e Noam Chomsky, que, fundamentalmente, dizem que houve um golpe no País comandado pelos Estados Unidos visando a tomar o pré-sal e também para impedir o progresso dos Brics, que ameaçam a sua hegemonia. 

 

Assim, não resta dúvida de que o maior interessado em desmontar as empresas brasileiras são os Estados Unidos e seus aliados, que querem manter sob controle o seu maior fornecedor de matérias-primas: o Brasil. Se este se desenvolver, passa a usar essa matéria-prima em favor do seu povo e se transforma num concorrente perigoso.



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