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Colunista Pedro Pinho

O Brasil está sumindo e você ainda não entendeu o golpe?

Data: 08/03/2017 
Autor: Pedro Pinho

Uma investigação, seja no romance policial, num problema de família ou numa briga política, sempre começa com a pergunta: a quem interessa?

 

Vamos procurar identificar a quem interessa o esfacelamento do Brasil e quais as forças e agentes que atuaram e atuam para que isto ocorra.

 

Em primeiro lugar, a não ser que seus neurônios também tenham sumido, já está claro que o combate à corrupção era apenas um modo de congregar os trouxas, os oportunistas e aqueles segregacionistas e excludentes que tem horror à democracia e aos direitos iguais para todo ser humano.

 

Se o caro leitor não passou desta fase, terá mais dificuldade para entender as razões do golpe de 2016.

 

O mundo neste século XXI tem um poder que domina não só a economia e as finanças, mas a política, a sociedade e os estados. Chama-se sistema financeiro, que abreviadamente designo banca.

 

A banca tem dois objetivos permanentes: se apropriar dos ganhos de todos os segmentos econômicos e promover a concentração de renda. Tem também um grande inimigo: o nacionalismo e o controle estatal das riquezas.

 

Para isso, a banca desenvolveu uma ideologia: a globalização; e ressuscitou um princípio econômico do século XVIII, muito em uso no século XIX, o liberalismo econômico, agora batizado de neoliberalismo. Não ficava coerente para uma ideologia do futuro fundar-se em teoria do passado.

 

A campanha de divulgação destas farsas foi intensa desde os anos 1970 até a supremacia atingida pela banca no final do século XX. O meio utilizado para o crescimento foram as denominadas crises – crise do México, crise do sistema monetário europeu, crise da bolha da internet etc. A cada crise um setor da economia ou um país passava ao controle da banca. Sempre usando o velho método de poder do liberalismo: a dívida.

 

O Brasil sob Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi governado pela banca. Alienou riquezas minerais, gerou dívidas e só não entregou a Petrobrás para a banca porque ainda havia militares nacionalistas que se opuseram.

 

No Governo Lula, pela primeira vez desde o Império, o Brasil não teve dívida externa e, ainda, descobriu a maior reserva de petróleo dos últimos 30 anos, possibilitando rever a legislação entreguista de FHC, colocando esta enorme e estratégica riqueza nas mãos da Petrobrás. Também com esta descoberta o País passou a ser autossuficiente em petróleo. A banca passou ao ataque e criou a corrupção como questão ética e não uma política de estado, como ocorria na Alemanha, na Holanda, no Reino Unido e outros países europeus, onde o suborno de suas empresas nos países do terceiro mundo era dedutível do Imposto de Renda.

 

A banca passa a usar o arsenal de espionagem e corrupção dos Estados Unidos da América (EUA), que ela dominava desde Ronald Reagan, para planejar, treinar e organizar o golpe no Brasil.

 

Antes de nomear os diversos atores do golpe no Brasil, vamos definir melhor quem é a banca. São menos de meia centena de famílias que controlam em torno de 30% a 40% das movimentações financeiras no mundo: as famílias reais inglesa e holandesa, os Rothschild, os Rockfeller, os Mellon, os Vanderbilt, os DuPont entre outras.

 

A crise de 2008 consolidou o poder da banca sobre os EUA. Assim, foram colocados para o golpe no Brasil o Departamento de Estado e a Agência Central de Inteligência, a notabilíssima CIA, e todo um sistema de espionagem que levou a Presidente Dilma a cancelar uma viagem aos EUA.

 

Este complexo bélico treinou membros do judiciário brasileiro – magistrados e promotores – sendo o mais conhecido agente o juiz Sergio Moro. Também chantageou Ministros do Supremo Tribunal Federal, ou o Dias Toffoli sempre pensou igual ao tucano Gilmar Mendes?, fechando um circuito jurisdicional para o golpe, o que era, até então, inédito no Brasil.

 

Como principal instrumento da preparação golpista estavam as 14 famílias que controlam quase a totalidade da mídia no País, com destaque especial para os irmãos Marinho, cujo sistema de comunicação sempre esteve ativo para as desinformações, fraudes e campanhas que objetivassem destruir a soberania brasileira.

 

Também pelo suborno ou pela chantagem, diversos empresários, como o rentista Presidente da FIESP, Paulo Skaf, passaram a trabalhar para o golpe que teve seu momento mais significativo no dia 17 de abril de 2016, quando um verdadeiro festival de cinismo, hipocrisia, mentiras comandado por Eduardo Cunha e seus 140 deputados previamente corrompidos, aprovaram um pífio pedido de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

 

Agora, em menos de 12 meses, o Brasil se esfacela. Seus recursos naturais, minérios, petróleo, água são colocados num cesto de saldo para os compradores estrangeiros; a base de lançamento de foguetes em Alcântara passa para o controle dos EUA, o próprio território nacional está a venda para estrangeiros interessados sem qualquer contrapartida.

 

E a política econômica da banca já atinge 20 milhões de desempregados e subempregados avançando num ritmo crescente. Os salários, que não sejam de Parlamentares, do Judiciário, do Ministério Público e de áreas Policiais escolhidas, estão em queda acentuada.

 

As pessoas, mesmo coxinhas batedores de panela, se perguntam onde iremos parar, quando o PIB recua 3,6%. A esta altura a corrupção foi esquecida pois todos os membros deste governo, na ativa ou licenciados ou escondidos, estão envolvidos em ganhos ilícitos, contas no exterior e até em tráfico de drogas -  olhem os “helicocas” e a fazenda paulista do Chanceler - e crimes contra pessoa. Nem há ética pessoal nem moral num Estado que compra apoio da imprensa, das empresas de telefonia e de energia elétrica com o seu, o meu, o nosso rico dinheirinho. E depois destes milhões lançados ao léu ainda querem mais arrocho nos direitos dos pobres, olha o SUS que não recebe há dois meses remédios para doenças incuráveis, e mais impostos (!).

 

Assombra-me, pessoalmente, a apatia das forças armadas. Quando se tratava de combater o comunismo, com o suporte estadunidense, pareciam verdadeiras feras, denodados militantes, mas para combater a banca não se vê o mesmo ímpeto, o mesmo brio.

 

Tenho a convicção que a banca deseja a guerra civil, que eliminará a pressão demográfica e facilitará seu estabelecimento repressivo. Mas ainda espero que prevaleça o interesse democrático, da mudança pelo voto, como está sendo possível na Bolívia, no Equador, na Venezuela e em breve voltará na Argentina, embora a corrupção da banca também atue nestes países.

 

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 



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